Miyamoto Musashi foi o mais famoso samurai da história do Japão. Sua história é muito conhecida pelos japoneses, e seu nome chega a ser um mito.
Musashi destacou-se por sua força e habilidade descomunais. Criou o estilo de esgrima com duas espadas (Niten-Ichi), uma em cada mão, e escreveu o livro Gorin-No-Sho (O Livro dos Cinco Anéis), sobre a arte da espada e estratégias marciais.
Musashi foi um dos poucos samurais que se destacaram em períodos de paz. A única batalha de que participou foi a "Batalha de Sekigahara", no ano de 1.600, na qual tinha apenas 17 anos. Desde então, nunca mais o Japão presenciou o fogo das guerras interfeudais, pois o país foi totalmente unificado pelo xogun Tokugawa Ieyasu, na chamada era Edo. Apesar disso, não faltaram a Musashi oportunidades para que ele mostrasse a sua habilidade no manejo da espada. Em honrados duelos, sua espada matou cerca de 60 homens.
Entre os seus mais impressionantes feitos, está o famoso "Episódio do Pinheiro", em que Musashi derrotou, sozinho, toda a academia Yoshioka de artes marciais, muito famosa na época. Em uma mesma madrugada Musashi aniquilou mais de trinta discípulos do clã e depois fugiu para poder sobreviver. Essa foi a primeira vez em que utilizou as suas duas espadas simultaneamente.
Também é lendário o episódio em que ele venceu o seu mais importante adversário: Sasaki Kojiro, um samurai muito aclamado. Kojiro era conhecido por sua afiada arrogância, sua habilidade nata e a sua peculiar espada de lâmina reta, que tinha aproximadamente 1 metro de comprimento, apelidada por ele de "Varal". O duelo se realizou na Ilha de Funashima, e atraiu uma grande multidão para o local, apesar da proibição oficial da presença de mais ninguém além dos duelantes e testemunhas.
De todas as lutas de Musashi, apenas em uma deu "empate". Trata-se do duelo contra Muso Gonnosuke, um lutador de origem camponesa que praticava o Bojutsu (arte do manejo do bastão). O curioso é que tanto Musashi como Gonnosuke afirmam enfaticamente em seus livros que, no dia do duelo, foram derrotados um pelo outro. Posteriormente, Gonnosuke tornou-se um dos melhores amigos de Musashi e criou o seu próprio estilo na arte do bastão, o Jojutsu.
Além de excelente esgrimista, Musashi foi também um grande pintor e escultor. Suas obras são relíquias valiosíssimas, espalhadas pelo Japão. Pintava quadros com a chamada técnica "Sumiê"(quadros monocromáticos com variações de tonalidade da tinta Sumi).
Determinação, humildade, coragem, paciência e destemor da morte são virtudes que sempre estiveram presentes na vida deste guerreiro. Apesar de na juventude ter sido um garoto sanguinário e inconseqüente, ao longo de seu amadurecimento espiritual Musashi adquire um caráter contemplativo e sereno. Na verdade, o tempo que dedicava à esgrima era proporcional ao interesse que tinha pelas finas artes e pelo Zen-Budismo. Musashi praticou o Zen até o fim de seus dias, passando inclusive longas temporadas isolado em montanhas apenas para meditar. Foi por tudo isso considerado o exemplo vivo do verdadeiro samurai.
O livro Musashi, de Eiji Yoshikawa, foi o livro mais lido da história do Japão. Vendeu mais de 120 milhões de cópias, em suas diversas edições, e inspirou mais de 15 versões televisivas. Narra a história de Takezo, um jovem rebelde que após duras provações amadurece espiritualmente e recebe o nome Miyamoto Musashi por Takuan, um mestre Zen. Este livro foi brilhantemente traduzido para o português por Leiko Gotoda, em dois grossos volumes.
Dediquei um tópico exclusivo a Musashi como forma de homenagear esta obra que, além de despertar meu interesse à cultura japonesa foi o maior motivo de esta página ter sido criada.
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