Período Kamakura (1192-1333)
Após a derrota do clã Taira, Minamoto Yoritomo é nomeado xogun (ditador militar) pelo imperador. A Corte imperial vê, assim, o seu poder transferir-se para os samurais, sob o regime militar conhecido por xogunato, ou bakufu.
O primeiro xogunato, inaugurado por Minamoto Yoritomo, ficou conhecido como Kamakura Bakufu. Isso porque a sede administrativa foi transferida novamente, desta vez para Kamakura, uma vila litorânea ao leste do Japão.
O xogun passou a ter o poder de nomear os seus próprios vassalos para administradores (jito) e protetores das províncias (shugo). Nesse período, inicia-se o chamado feudalismo japonês.
O xogunato caracterizou-se por uma forma de governo baseada nas regras de conduta dos samurais. O bushidô, o caminho do guerreiro, ou código de ética dos samurais, começa a ser formado nesse período. A noção de lealdade ao superior já é bem evidente. Os samurais passam a ser os guardiões do novo regime, exercendo tanto funções civis - cobrança de impostos dos camponeses, por exemplo -, quanto militares e de proteção.
A linhagem direta dos Minamoto acaba com a morte de Yoritomo e posteriormente de seus dois filhos. O poder efetivo passa então para a regência do clã Hojo.
Em 1232, Hojo Yasutoki proclama a primeira legislação samuraica, composta por 51 artigos. Goseibai Shikimoku, como ficou conhecida, foi o primeiro código de leis feudais do país.
Durante esse período o Japão vivenciou relativa prosperidade e crescimento econômico. A população cresceu, e novas cidades surgiram. Novas técnicas agrícolas foram adotadas pelos camponeses, aumentando a produção. O excedente era comerciado com a China, assim como vários outros produtos manufaturados e novas culturas (como a soja e o chá).
O budismo experimentou um considerável ressurgimento e difusão popular. Este movimento expressou-se através de várias correntes importantes, como a da Terra Pura Budista, difundida por Honen. As maiores escolas do budismo que existem atualmente no Japão descendem direta ou indiretamente das escolas surgidas no período Kamakura.
Junto com a ampliação do comércio com a China, foram assimilados novos aspectos culturais, tais como o consumo do chá e o Zen-budismo . Esse último foi amplamente aceito pela classe dos samurais, pois não dependia de rituais e era considerado um poderoso instrumento para o aperfeiçoamento pessoal.
No ano de 1220, não muito longe dali, ascendia ao poder um dos maiores conquistadores do mundo. Trata-se de Genghis Kan, rei da Mongólia, que em pouco tempo conquista toda a China pela força das armas e de seu afiado senso de estratégia militar. As forças de seu exército estendem-se desde a Coréia até a Europa Oriental, dominando quase todo o continente asiático.
Kublai Kan, neto de Genghis Kan, decide em ousada manobra conquistar também o território japonês para ampliar os seus domínios. Iludido, provavelmente pelos coreanos, acreditava que o Japão era um país rico em ouro e outros minerais. Em 1274, Kublai envia um exército de 40 mil homens à baía de Hakata. Os samurais lutam com extrema bravura em defesa do território nacional, mas, assim mesmo, a superioridade numérica e bélica dos mongóis supera as defesas dos japoneses. Aconteceu então o imprevisto: durante uma noite de descanso em seus barcos, um poderoso furacão afunda várias embarcações mongóis, causando grandes baixas ao seu exército. Os samurais aproveitam a oportunidade para expulsar de vez os invasores.
Após a primeira tentativa de invasão de Kublai Kan, o xogunato arma suas defesas e se prepara para um futuro ataque, que não demorou a chegar. Em 1281 os exércitos mongóis invadem novamente o Japão, desta vez contando com um exército de mais de 140 mil homens, desembarcando no litoral de Hakata. Os combates duram cerca de dois meses quando, milagrosamente, um violento tufão varre o litoral de Kyushu, forçando os navios de Kublai Kan a se retirarem novamente com o que sobrou da esquadra.
Assim, o Japão por duas vezes derrotou a Mongólia, inimigo superior em número e armamento, com seus valentes guerreiros samurais e contando com a ajuda da fúria da natureza. Os tufões vitais para a vitória japonesa ficaram conhecidos por "kamikaze", ou vento divino, e fizeram os japoneses acreditarem que eram protegidos pelos deuses. Além disso, a vitória sobre os mongóis foi muito importante para o surgimento de um forte sentimento nacionalista.
Entretanto, devido aos grandes gastos com a defesa do país, o xogunato foi incapaz de recompensar devidamente os guerreiros que lutaram contra os inimigos. Isso porque os conflitos foram travados no próprio território, não havendo espólios de guerras a serem distribuídos. Dessa forma, o Kamakura Bakufu acabou por perder a confiança dos samurais.