Período antigo (250-710)
O relevo acidentado e variado dividiu o país desde o início em numerosas pequenas localidades, com dialetos e características próprias.
Por volta de 250 d.C., cavaleiros vindos da Mongólia invadiram o Japão, e não demoraram em assumir o controle do país, tornando-se então a aristocracia. Uma das famílias de nobres, sobrepondo-se às demais, afirmou ter origem divina para se estabelecer no poder. O primeiro membro dessa família teria sido neto de Amaterasu, a deusa do sol, segundo a mitologia japonesa.
Descendente dessa família, Jimmu Tenno foi o lendário primeiro imperador do Japão. Estabeleceu a dinastia Yamato e, gradualmente, reuniu todas as pequenas localidades em um único Estado.
A classe dominante japonesa do início do Estado Yamato era composta por clãs proprietários de terras, chamados de uji. Cada uji era formado por descendentes de um ancestral comum, e reunia uma população trabalhadora constituída por diversos grupos profissionais, especializados em determinadas tarefas. Cada grupo profissional recebe o nome de "be". O maior deles era o que cultivava arroz, chamado de tabe ou tanabe. Além desse havia o grupo dos pescadores (ukaibe), tecelões (hatoribe) e arqueiros (yugebe) entre outros.
Os uji lutavam entre si e faziam alianças mediante casamentos, ao que tudo indica. Recebiam títulos, de acordo com sua função no estado Yamato, chamados de kabane. Por causa disso, alguns estudiosos chamam o regime governamental da época de uji-kabane.
Imensos túmulos construídos naquela época refletem o alto grau de poder da dinastia Yamato. Alguns deles têm áreas tão grandes quanto aquelas das pirâmides do Egito. Dentro dos túmulos eram depositadas pequenas e impressionantes peças de escultura denominadas Haniwa. As Haniwa eram feitas de barro e representavam pessoas e animais que provavelmente faziam parte da vida do morto. As Haniwa são objetos simples que no entanto requerem bastante técnica para serem feitas.
A adoção do termo "tenno" (imperador) pelos governantes data do início do século VII, durante a era conhecida como período Asuka (entre os anos 593 e 628). O príncipe Shotoku Taishi, que governava por sua tia, Imperatriz Suiko, restringiu o poder dos grandes ujis e decretou uma série de normas no ano de 604. Trata-se da primeira constituição do Japão, composta por 17 artigos, com o objetivo de fortalecer a unificação do Estado.
Com a morte de Shotoku, em 622, tem início um período de guerras civis. Os conflitos terminam em 645, com a aniquilação do poderoso clã Soga pelos seus adversários.
A organização centralizada do estado, proposta por Shotoku, reflete-se novamente na chamada reforma Taika, de 645, empreendida pelo imperador Kotoku. Estabeleceu-se o sistema de governo então vigente na China - dinastia dos Tang: todas as terras e a população ficaram sujeitas ao governo central, e os camponeses, obrigados a pagar impostos.